sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Minha experiência no desenvolvimento da PA


A principal preocupação que tive no desenvolvimento do PA foi de trabalhar em cima da realidade da nossa sociedade e não ter uma visão idealizada e inocente sobre as ações e atitudes tomadas no dia a dia por um cidadão "padrão".

Claro que se fizéssemos uma pesquisa perguntando se as pessoas são ou não favoráveis às atitudes sustentáveis, o resultado seria positivo! Mas as pessoas não agem assim nas suas atividades diárias.

Será que a maioria das pessoas pensa sustentavelmente desde o momento que acorda até o que se deita? Quando escova os dentes fecha a torneira nos intervalos? Aproveita o banho para escovar os dentes e também fecha o registro nos intervalos? Mantêm uma lixeira dentro do carro se usa um? Na sua cozinha as atividades de produção de refeições, descarte de embalagens vazias, descarte de resíduos, utilização da torneira e tantas outras é pensada para que seja coerente com atitudes sustentáveis? Não compra bens que não sejam produzidos/projetados segundo uma cartilha sustentável (esta é particularmente difícil)? Sabemos que em sua grande maioria as pessoas não agem assim...

Os objetivos e a metodologia foram pensados de modo a atingirem os adultos de modo indireto. São as crianças que podem ensinar aos adultos a corrigir vícios que trazemos desde a infância. A vergonha causada pelo fato de ser corrigido por uma criança provoca uma mudança de atitude quanto ao ato reprovado.

As escolas têm um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes da necessidade de atitudes sustentáveis. Se desde pequenos todos fossemos doutrinados nas escolas a agirmos pensando no coletivo e na importância da contribuição individual para que o coletivo reaja, o mundo não estaria passando por várias das carências e deturpações atuais. A sociedade age como se fosse um organismo só e as atitudes e atividades individuais da maioria de seus componentes é que vai definir como esse organismo "sociedade" se comporta.

Atitudes sustentáveis não devem ser tratadas como um modismo como alguns pensam, mas como uma necessidade inclusive econômica – alguns (muitos) só pensam por esse prisma – e num mundo onde a quantidade de pessoas aumenta muito acima do razoável, tornam-se extremamente necessárias e urgentes.

Agir com rigor e seriedade para que as pessoas enxerguem isso e modifiquem a forma de como aprenderam a agir e a pensar não é "xiitismo", mas ser coerente com a gravidade da nossa situação atual como espécie habitante deste planeta.

Já tinha minhas ideias e convicções – e continuam válidas, a meu ver – dos problemas que a humanidade tem para viver num planeta onde os recursos e o volume disponível são limitados, mas montar o PA me ajudou, pelo menos, a parar um pouco e pensar: será que tomaremos as medidas necessárias e com a rapidez necessária? Enquanto não podemos responder a esta pergunta, cabe a nós pelo menos tentar.